O Grande Prémio de Baku, no Azerbaijão, consagrou o tetracampeão mundial como vencedor, numa demonstração de enorme qualidade, começando, mais uma vez, com uma grande volta na Qualificação, garantindo a sexta pole position da época. Com este resultado e com o atual líder do Mundial de Pilotos fora das contas (já lá vamos), Max Verstappen apresenta-se ao serviço na luta pelo título. Até porque o outro piloto da McLaren, Lando Norris, voltou a facilitar (bipolaridade exibicional do britânico é estranha e prejudica-o imenso).
Ao contrário do que sucede, por norma, com o McLaren número 4, o outro ‘papaia’ costuma ser imune a erros, mas também foi apanhado nesta teia, com um arranque absolutamente surreal. A corrida de Oscar Piastri durou pouco mais de um minuto. A partida falhou, ficando parado e sendo ultrapassado por toda a gente. O australiano viu-se no último lugar do pelotão e passadas umas curvas, decidiu ver se as proteções no circuito citadino de Baku estavam bem colocadas, indo em frente e abandonando a prova. Algo que foi aproveitado ao máximo pelo predador Max e desaproveitado pelo principal concorrente, a presa Lando Norris.
Mas, antes de partirmos para as desilusões (sim, esses que estão a pensar voltaram a falhar em grande), temos de completar o pódio. George Russell executou a corrida na perfeição para terminar no segundo lugar (pontos preciosos e também já lá vamos), sendo que o último lugar do pódio foi a maior surpresa. Carlos Sainz, depois de uma Qualificação em que obteve o segundo melhor tempo, conseguiu suster tudo e todos e protagonizar um Grande Prémio de categoria para assegurar o 3.º posto e o seu primeiro pódio com a Williams. Uma operação suave (entendidos, entenderão).
Falta instinto matador a Norris e os ‘cavallinos’ que não são nada rampantes
A Qualificação dos McLaren não foi boa, demasiadas bandeiras vermelhas e amarelas tiveram forte impacto na formação da grelha, mas as expectativas continuavam altas, em relação a domingo. Piastri errou e Lando Norris não aproveitou. Quando se esperava que ao ver o principal concorrente ao título mundial no muro, o britânico partisse para uma corrida daquelas, tal não sucedeu. Aliás, a passividade foi tanta que no arranque, após ‘safety car’, Norris foi mesmo apanhado a dormir e Leclerc aproveitou.
Ainda assim recuperou seis pontos para a liderança, com o sétimo posto, enquanto Max Verstappen recuperou 25 (coisa pouca). O neerlandês ainda está longe e tem dois pilotos à sua frente, mas como todos sabemos, isto só acaba no fim e estando o homem forte da Red Bull envolvido, esta afirmação ganha ainda mais preponderância. Quem recuperou o sétimo lugar na classificação total foi Kimi Antonelli que voltou às boas exibições, com um quarto lugar, garantindo uma ultrapassagem no Mundial de Construtores.
Pois é, com a Ferrari a continuar a desiludir, mais cedo ou mais tarde alguém ia aproveitar e aí está a Mercedes no 2.º lugar do troféu das marcas. Sendo um piloto veloz, Charles Leclerc tem sempre uma palavra a dizer na Qualificação, mas tal como aconteceu com tantos outros, os homens da Ferrari executaram mal. Lewis Hamilton não passou sequer à Q3 e o monegasco enfiou-se no muro, num que ele conhece bem, mas já estava na última fase e partiu da décima posição da grelha. Sendo que o sete vezes campeão do Mundo terminou a corrida de domingo no oitavo posto e Leclerc em nono.
Enorme Lawson e segundo piloto Red Bull a somar bons pontos
Um dos pilotos do dia foi, sem dúvida alguma, Liam Lawson. O neozelandês já vinha a dar mostras de melhorias, recuperando o seu ‘mojo’ e, especialmente, velocidade, depois da saída (talvez) precoce da Red Bull. Agora na V-card, sem a pressão de grandes resultados e sobretudo mediática, Lawson vai fazendo o seu trabalho com qualidade e brilhou ao mais alto nível neste Grande Prémio de Baku. A 5.ª posição e respetivos dez pontos traduzem-se no seu melhor resultado de sempre, sendo que o conseguiu com uma condução exemplar, defendendo-se em vários momentos de ataques de McLarens ou Ferraris.
Também em destaque esteve o piloto que o foi substituir na Red Bull, pois Yuki Tsunoda realizou, finalmente diga-se, uma enorme corrida. Sem problemas e com boas defesas, lá conseguiu receber a bandeira de xadrez na sexta posição, contribuindo com oito pontos para o Mundial de Construtores, no qual a marca austríaca ainda pode ter uma palavra a dizer na luta pelo segundo lugar, caso este segundo carro consiga manter uma boa performance pontual nas provas que ainda restam até ao final da temporada 2025. Ainda uma menção (mais uma) para Isack Hadjar que assegurou o pontinho, numa corrida bem executada, com o décimo lugar. A V-card ganhou vantagem sobre a Aston Martin e está na batalha pela quinta posição no Mundial de Construtores com a Williams.


