A duas provas do final da temporada, a luta pelo título mundial de pilotos está, novamente, ao rubro, graças a um Grande Prémio de Las Vegas que foi uma autêntica roleta. Na cidade em que o jogo domina, a sorte e engenho, obviamente, não fosse tetracampeão do Mundo, sorriu a Max Verstappen, com o número 1 a vencer mais uma corrida e a deixar os homens da McLaren com aquele nervosinho de quem se vai deitar com monstros debaixo da cama (aí vem o bicho-papão e não podem dizer que não foram avisados).
Mesmo com o triunfo de Max, Norris estava (e continua, vá) bem lançado para a conquista do Mundial de Pilotos, porém após as verificações técnicas, os dois monolugares da McLaren foram desclassificados por não respeitarem o limite mínimo de espessura do patim de madeira que se situa debaixo dos carros (já tinha acontecido a Lewis Hamilton no ano passado em Spa, por exemplo). O piloto britânico dos ‘papaia’ tinha ficado no segundo posto e a vantagem seria muito mais fácil de gerir para as duas últimas provas do campeonato. Pois é, já só restam Qatar e Abu Dhabi e será que vamos ter um último Grande Prémio com tudo por decidir?
Com esta baralhadela de última hora, o tetracampeão mundial alcançou Oscar Piastri na classificação, tendo agora ambos 366 pontos, ficando a somente 24 do líder, ou seja, em termos simples: se acontecer o mesmo (Max ganhar e os McLaren não pontuarem), o neerlandês passa para a frente já no próximo fim de semana. Quem diria… (vão lá ver os textos anteriores e não me estou a gabar…). Com este infortúnio dos McLaren, a Mercedes aproveitou para colocar dois pilotos no pódio, com Russell em segundo e Antonelli em terceiro, dando também um salto significativo na luta pelo segundo posto no Mundial de Construtores (este promete aquecer na segunda metade da tabela).
Um arranque ‘kamikaze’ e um sete vezes campeão do Mundo a fazer das tripas coração
O arranque voltou a ser pródigo em situações complicadas, desde logo pela forma como Lando Norris procurou bloquear o avanço de Max, colocando, literalmente, o seu McLaren na frente do Red Bull. Porém, apesar de ousada, a manobra saiu-lhe furada, pois falhou o tempo de travagem e foi largo na primeira curva, deixando uma autoestrada para o neerlandês. O britânico tentou uma manobra à Max, mas correu mal. Daí a designação de ‘bicho-papão’, já que não é apenas pela sua qualidade e agressividade, mas também por tudo aquilo que provoca, nomeadamente a nível psicológico, nos seus companheiros de pelotão.
Para não variar, também houve acidentes e, no alto da sua experiência, o piloto com melhor visão para o sucedido e que melhor aproveitou a situação foi Lewis Hamilton. Em mais um fim de semana sofrível para a Ferrari, apesar do 4.º posto de Leclerc, o britânico lá fez das tripas coração para alcançar o oitavo posto, depois de ter largado da 19.ª posição. Nada mau, mas para este multicampeão o ano já vai longo e sendo já o pior piloto de sempre na temporada de estreia na marca italiana, lá vai referindo que só quer que 2025 acabe para que possa fazer um ‘reset’ para 2026… Será suficiente? Os rumores não dão muito boas indicações quanto ao novo carro da Ferrari para a próxima época.
Williams segurinha graças a Sainz e Aston Martin a tremer como varas verdes
Já falei que a Mercedes, praticamente, selou a segunda posição no Mundial de Construtores e na primeira metade da tabela, pode ainda haver uma ligeira luta entre a Ferrari e a equipa Max Verstappen (lá estou eu), Red Bull. No entanto, precisamente, a fechar esta parte superior do quadro classificativo está a Williams que também ficou bem mais segura, graças a uma boa performance de Carlos Sainz, que se qualificou na terceira posição e terminou o Grande Prémio em quinto (10 pontos). Num top-10 que se confunde com esta batalha dos Construtores e antes de irmos a contas por quatro lugares específicos, há que dar menções honrosas a Isack Hadjar (sexto), Nico Hulkenberg (sétimo) e aos dois Haas, Ocon e Bearman, que fecharam os pontos, com o nono e o décimo postos, respetivamente.
A luta que mais promete, neste campeonato, é entre o 6.º e 9.º lugares, já que a Alpine está condenada, há muito, ao último posto. São muitos os milhões em jogo e, por isso, perspetiva-se duas boas corridas a envolverem os pontos entre os pilotos da Haas, da Sauber, da V-card e da Aston Martin. Depois do Grande Prémio de Las Vegas, estes últimos ficaram em maus lençóis e vão tremendo como varas verdes (viram o que fiz aqui…). A marca britânica ocupa a oitava posição, tendo a Sauber a somente quatro pontos, enquanto a norte-americana Haas está na perseguição à equipa satélite da Red Bull, pelo sexto lugar.


