Senhoras e senhores, o suspense mantém-se e o título Mundial de Pilotos apenas se vai decidir na última prova da temporada, com três candidatos à partida. Porém, a realidade é que a vida de Oscar Piastri está complicada, Lando Norris continua a ser o favorito, pois está na frente com 12 pontos de avanço, mas Max Verstappen tem feito uma recuperação estupenda, tal como a equipa Red Bull, como ficou provado em mais uma demonstração de excelência no Grande Prémio do Qatar.
O fim de semana até parecia bem encaminhado para a McLaren, que insiste em não beneficiar qualquer um dos seus pilotos, especialmente o que está na frente do campeonato. Mas, pronto, contas de outro rosário. A verdade é que Oscar Piastri venceu a Sprint, Norris foi terceiro e Max apenas quarto, sendo que ainda no sábado, os dois pilotos ‘papaia’ fecharam a linha da frente da grelha de partida para o Grande Prémio de domingo, com o australiano a fazer a pole position e o britânico logo atrás. No entanto, um tal de tetracampeão do Mundo ficou com o terceiro posto e bem sabemos como funciona o neerlandês em dia de Grande Prémio.
Logo no arranque, o Red Bull número um mostrou ao que vinha e assumiu a segunda posição, ultrapassando o líder do campeonato. Aí começou a sua perseguição ao homem da frente da corrida, até que surgiu um acidente e o respetivo ‘safety car’ ainda cedo na corrida, mas com as indicações de duas paragens obrigatórias e uma utilização máxima de 25 voltas por pneu (devido ao calor), todos aproveitaram para mudar de pneus, com exceção de ambos os McLaren… Uma decisão que se revelou um falhanço estratégico de uma dimensão que apenas no final da última prova vamos poder medir. O que menos se percebe, na minha perspetiva, é que nenhum parou, ou seja, pelo menos um devia ter trocado de pneus, quer fosse o líder da corrida (Piastri) ou o líder do Mundial de Pilotos (Norris). Cá estaremos para apontar o dedo, caso a marca britânica tenha feito asneira da grossa.
Acidente entre Hulkenberg e Pierre Gasly despoletou o ‘safety car’…
Espanhóis em grande animam etapa final na segunda metade
Carlos Sainz e Fernando Alonso realizaram duas excelentes corridas, tendo tudo começado com a Qualificação, com o piloto da Williams a assegurar a sétima posição e o da Aston Martin a oitava. Obviamente que o chapéu de maior aba tem de ser retirado a Carlos Sainz Jr. que alcançou mais um pódio esta época, deixando o sete vezes campeão do Mundo, Lewis Hamilton, que o substituiu na Ferrari, a engolir ainda mais em seco. Só uma nota de rodapé para mais um fim de semana horrível para a Ferrari, sendo que Leclerc ainda pontuou com o oitavo posto.
Se o mais novo dos espanhóis na grelha fechou a posição da Williams como a quinta melhor equipa de 2025, o mais velho do país vizinho voltou a lançar a incerteza quanto ao sexto classificado no Mundial de Construtores, somando pontos preciosos que deixam a Aston Martin a, curiosamente, somente 12 pontos da V-card na luta por essa posição que como se sabe significa muitos milhões de euros. A equipa satélite da Red Bull também somou dois pontos com Lawson e a casa-mãe levou o pontinho com Tsunoda (novidades mais à frente). Já a Mercedes parece ter selado o segundo lugar, só se houver mesmo uma enorme ‘Taça’ no último Grande Prémio da temporada.
Abu Dhabi a ferver e ‘promoção’ para Isack Hadjar
Já se levantou o véu do que está em jogo no 24.º Grande Prémio da temporada, sendo que o maior ponto de interesse é, sem dúvida, o título mundial de pilotos, com três candidatos, sendo algo que não sucedia há 15 anos e em perspetiva está uma enorme tensão no Grande Prémio de Abu Dhabi que quase faz lembrar a de 2021. A principal diferença, para além do trio de possíveis vencedores – na altura apenas dois -, é que há um piloto com uma vantagem assinalável na classificação e os outros têm de fazer muito para o derrotarem. Há quatro anos, Lewis e Max chegaram empatados à última prova. Agora, Norris tem uma vantagem de 12 pontos que lhe permite ser terceiro, caso Verstappen vença (o que não é líquido) a corrida.
Nas restantes posições, George Russell está tranquilo no quarto lugar, ficando para apurar o excelente ano de Kimi Antonelli que pode terminar com a ultrapassagem a Sir Lewis Hamilton pelo sexto posto. Ainda dois companheiros de equipa, Alex Albon e Carlos Sainz, lutam pelo oitavo lugar e mais três pilotos estão envolvidos na batalha para fechar o top-10, sendo que Hadjar ocupa essa posição neste momento, tendo Nico Hulkenberg a dois pontos e Fernando Alonso a três.
Não podia terminar esta 23.ª crónica do ano, sem revelar a novidade anunciada pela Red Bull. Isack Hadjar vai ser ‘promovido’ (as comas são entendidas pelos entendedores, ou seja, ser companheiro de Max não é fácil…) para a equipa principal em 2026, sendo que Liam Lawson se mantém na V-card, tendo um novo companheiro, o jovem britânico (18 anos), Arvid Lindblad que sobe da equipa da Red Bull de Fórmula 2 para a Fórmula 1.


