A temporada 2026 de Fórmula 1 está oficialmente aberta e deixo já uma pergunta: Quem apanha estes Mercedes? Bom, a resposta a esta questão e ainda o meu parecer sobre o que de mau e de bom se passou ficam para mais tarde, pois há que falar da corrida. George Russell venceu o Grande Prémio da Austrália, com o seu companheiro de equipa, Kimi Antonelli, a ser segundo classificado e Charles Leclerc a fechar o pódio com o seu Ferrari.
Uma corrida que começou bem – graças aos reflexos de Franco Colapinto (também já lá vamos) -, pois o arranque (como era normal na era anterior) foi dos momentos mais emocionantes da prova. Os Ferrari comprovaram que têm uma técnica ou tática mais perfeita para quando os semáforos se apagam e ‘voaram’, no entanto em ritmo os Mercedes foram claramente superiores. Pior de tudo, tendo em conta o que resta da época, é que os rumores indicam que a marca da estrela nem sequer utilizou todo o potencial do seu motor…
A primeira dúzia de voltas acabou por ser engraçada com mudanças na liderança, entre Leclerc e Russell, com ultrapassagem para cá e ultrapassagem para lá. Mais atrás, Hamilton subiu logo várias posições e Kimi, que arrancou mal, também foi recuperando lugares, tal como Max Verstappen. Como seria de esperar houve várias incidências com dois Virtual Safety Car a surgirem cedo e a baralharem a estratégia. As más línguas podem dizer que a marca do Cavalino Rampante errou, mas penso que foi mais azar que outra coisa, já que na segunda interrupção, devido ao abandono de Valtteri Bottas, a linha das boxes foi encerrada para retirar o Cadillac do piloto finlandês.
Homem da casa de fora antes de começar e um Max ao qual vai ser preciso muita atenção
Para além dos pontos prévios ao fim de semana que indicavam que os Aston Martin não iam completar o Grande Prémio, e assim foi (Lance Stroll fez 43 das 58 voltas), e que os Cadillac iam ter dificuldades em fazê-lo: Bottas abandonou e Pérez levou três voltas dos líderes, houve logo surpresa no domingo. Na volta de alinhamento da grelha, ainda antes da de formação, Oscar Piastri, que corria em casa, sofreu um acidente, colocando o seu McLaren nas barreiras e, assim, nem sequer arrancou para o ‘seu’ Grande Prémio.
O entretenimento das primeiras voltas foi o mais interessante, mas logo atrás surge Max Verstappen e o elevado número de ultrapassagens no Circuito de Melbourne Park. Começando pelo neerlandês, que conta com quatro títulos mundiais no seu currículo, foi o piloto que mais posições recuperou depois de também ele ter batido na Qualificação e ter partido do lugar 20. Ou seja, galgou 14 degraus e terminou no 6.º posto, logo atrás do atual campeão do Mundo, Lando Norris.
No final do primeiro Grande Prémio da temporada, numa clara tentativa de ludibriar a opinião pública e também de acalmar as vozes dos pilotos (de quem deveria interessar, na realidade), a Fórmula 1 foi lesta a publicar uma estatística que, observada individualmente, podia mudar a opinião dos mais céticos. No entanto, não correspondeu muito à realidade, lá está, com exceção das primeiras voltas e de uma luta pelo pontinho que foi animando qualquer coisa.
Boas surpresas nos pontos e o miúdo lá mostrou os dentes
Uma temporada que também fica marcada pelo facto de começar com apenas um ‘rookie’ na grelha e aposto que quem viu a corrida já sabe o seu nome. Arvid Lindblad conseguiu levar o seu Racing Bull (que se portaram muito bem) até ao oitavo posto, somando quatro pontos na sua estreia na Fórmula 1. Está tirado o primeiro chapéu de 2026.
O top-10 é o espelho das melhores exibições deste Grande Prémio inaugural e também, na minha opinião, daquilo que melhor correu na primeira prova desta nova era. A seguir às duplas Mercedes e Ferrari, logo atrás de Norris e Verstappen, ficou Oliver Bearman, num Haas que se comportou muito bem. O seu companheiro de equipa ficou à porta dos pontos (11.º) e protagonizou bons momentos com o seu ‘amigo’ Pierre Gasly. O piloto mais português do paddock ficou em décimo, sendo que na nona posição surgiu Gabriel Bortoleto, porém Nico Hulkenberg falhou a prova de estreia da Audi, devido a problemas mecânicos.
Será que vai ser uma questão de hábito?
Obviamente, ainda é muito cedo para se tirarem conclusões, mas ficou claro que os monolugares falham na vertente de velocidade pura, deixando situações perigosas e outras embaraçosas. Nunca é bom começar sem todos os carros na grelha de partida (Piastri e Hulkenberg), nem terminar com três desistências (Bottas, Alonso e Hadjar), assim como com pilotos a levarem 15 voltas (Stroll), três voltas (Pérez) e duas voltas (Sainz e Colapinto).
Também é mau potenciar acidentes gravíssimos no arranque, como esteve a milímetros de acontecer com Franco Colapinto (deixo o vídeo e arrepiem-se). Porém, aquilo que mais me desagradou foi mesmo a Qualificação, pois perde muita emoção, já que os carros não dão o máximo, os pilotos ficam frustrados e as voltas são penosas… Depois, tal como se viu na ‘batalha’ Norris vs. Verstappen, em que o neerlandês se aproximou rapidamente do campeão do Mundo, mas depois não conseguiu ultrapassar, dando a entender que assim que os pilotos dominarem toda a gestão de energia, processos e pontos de ataque ou defesa, as ultrapassagens vão voltar a ser escassas… Teremos de esperar para ver!


