No terceiro Grande Prémio da temporada, já há quem suba ao primeiro lugar do pódio por duas vezes. Kimi Antonelli deu continuidade ao brilhantismo apresentado na China e alcançou o triunfo no Japão, tomando de assalto o topo da classificação do Mundial de Pilotos, após uma corrida em que falhou o arranque, mas foi bafejado pela sorte com o único Safety Car da prova, num acidente que deixou toda a gente a reclamar (ainda mais) dos novos regulamentos.
A prova nipónica ficou, também, marcada como a primeira na qual alinharam os 22 monolugares à partida e dois deles resolveram aparecer em grande. Depois de terem dado um ar da sua graça na Qualificação (continua a ser um momento sofrível, mas já lá vamos), os McLaren realizaram boas exibições, especialmente, Oscar Piastri que conseguiu ficar com o segundo lugar. Um momento que marca uma evolução enorme da equipa britânica e que mereceu um comentário, bem ao estilo do australiano…
O seu companheiro de equipa ficou na quinta posição, sendo que o pódio deste Grande Prémio do Japão ficou completo com Charles Leclerc, da Ferrari, também na estreia de construtores distintos nos três primeiros lugares. Quando se esperava o normal domínio da Mercedes, George Russell não conseguiu bater o monegasco, tendo sido ultrapassado a poucas voltas do final. O britânico apenas conseguiu ser quarto e isso já lhe custou a liderança no Mundial de Pilotos.
Um Haas a voar pelas razões erradas deu o momento que definiu a corrida
Depois de um arranque em que os Ferrari voltaram a brilhar, mas seguidos de perto pelos McLaren, os Mercedes falharam redondamente e o homem da pole position, Kimi Antonelli, até foi o que perdeu mais lugares, caindo para a sexta posição. No entanto, o andamento dos monolugares da marca da estrela segue sem concorrência e o jovem italiano foi escalando lugares na classificação. Quase todos (apenas Bottas partiu de duros) os pilotos optaram por sair de pneus médios e pela volta 18 começaram as paragens. Antonelli e Hamilton (este não beneficiou em nada…) foram os únicos que foram esperando e tiveram a oportunidade que tanto desejavam.
A chance deu-se, infelizmente, devido a um acidente aparatoso de Oliver Bearman. A estrela dos últimos dois Grandes Prémios não estava a realizar uma prova equiparada a essas e ficou ainda pior com um embate a grande velocidade. O jovem britânico saiu do carro a cambalear e com dores num pé, mas está tudo bem com ele. Porém, a origem do acidente gerou enorme indignação por parte de todos os pilotos da grelha. Aparentemente, ou seja, tendo em conta aquilo que os entendidos (os pilotos!) disseram no final, esta situação já estaria na consciência de todos. Bearman seguia Franco Colapinto que numa reta perdeu velocidade de forma abrupta, com o homem da Haas a recorrer ao modo de ultrapassagem, potência extra, teve de se desviar de um argentino que ao ficar demasiado lento tentou defender-se (não estava em zona de travagem ou a fechar o ângulo de entrada numa curva) e levou Bearman para a relva e a partir daí perdeu totalmente o controlo do seu carro. O melhor, como sempre, é verem as imagens…
A regularidade do ‘nosso Pedro’ e a frustração de um tal tetracampeão Mundial
Antes de partir para aspetos mais negativos, é necessário fazer as habituais menções honrosas, com um cliente habitual neste início de campeonato. O ‘nosso’ Pierre Gasly continua a extrair o máximo do seu Alpine e a pontuar de forma sistemática, garantindo, no Japão, o sétimo lugar, sendo o melhor piloto a seguir às três equipas que dominaram esta corrida. Tenho, igualmente, que destacar Liam Lawson que depois de ter sido batido pelo companheiro, o único ‘rookie’, na Austrália, também pontuou pela segunda prova seguida. A fechar os pontos ficou Esteban Ocon, batendo o seu companheiro de equipa pela primeira vez e revelando o bom monolugar que a Haas tem neste arranque de 2026.
O outro homem que completou o Top-10 foi um tal de Max Verstappen que continua, claramente, frustrado com estas novas regras, para além do facto de não ter, isso é certo, um carro competitivo neste momento. No entanto, as queixas do tetracampeão do Mundo não se limitam à falta de eficácia do seu Red Bull e as suas palavras de desalento fazem com que todos os amantes deste desporto comecem a prestar mais atenção ao que significam estas novas regras. O neerlandês já pondera abandonar a categoria rainha do automobilismo, exatamente porque esse estatuto não está a ser demonstrado. Os carros não andam no seu máximo e, como referi anteriormente, isso é mais visível na Qualificação que está a perder a piada toda…
Depois, tal como alguém avisou (Eu! e não só, claro), conforme os pilotos fossem percebendo melhor a forma de controlarem a entrega de potência, mais as corridas iriam ficar monótonas e este Grande Prémio do Japão, tirando, lá está, as cinco primeiras voltas, devido aos arranques diferenciados, e depois duas ultrapassagens de Charles Leclerc, primeiro ao seu companheiro de equipa Lewis Hamilton e depois a George Russell, quase não houve batalhas e, sinceramente, foi um bocado chato.
Em abril não há provas, devido ao cancelamento dos Grandes Prémios do Bahrain e da Arábia Saudita, o que pode representar uma boa oportunidade para se rever alguma coisa nos regulamentos, sendo que os pilotos estão cada vez mais frustrados e seria bom ouvi-los para se perceber como se pode conduzir no limite e ter boas corridas… Aguardemos!


