Mais um Grande Prémio, desta feita no Canadá, e com novo Sprint, em que a Mercedes voltou a demonstrar toda a sua superioridade. Na corrida mais curta ainda tiveram alguma concorrência, mas o que animou mesmo o fim de semana foram as batalhas entre os dois homens da equipa alemã (ainda outra luta que nos fez recuar no tempo), com Kimi Antonelli a ganhar a prova de domingo (Russell venceu o Sprint), sendo o primeiro piloto de sempre a vencer quatro corridas consecutivas, após o primeiro triunfo. A procissão ainda vai no adro, mas parafraseando o britânico da marca da estrela: “Aparentemente, o campeonato está mais para o Kimi perdê-lo, do que para outro piloto o conquistar!”
Sem dúvida alguma que as batalhas, em pista e também na comunicação, entre Antonelli e Russell, foram o grande fator de entusiasmo neste Grande Prémio em Montreal, com uma Sprint demasiado animada, com apertos, queixas no rádio e o chefe a ter de intervir. Na corrida aconteceu o mesmo, enquanto estiveram ambos em pista, em nova demonstração do enorme potencial do monolugar da Mercedes e da vontade de ambos em sagrarem-se campeões do Mundo. Fica uma pequena amostra…
Este género de manobras apenas não durou até ao final, pois o carro número 63 deu de si. Um problema, ao que tudo indica, com o sistema hidráulico obrigou George Russell a retirar-se, o que comprometeu (bastante) as suas aspirações ao título. Mas ainda há muito para correr esta temporada, sendo que a superioridade dos carros alemães vai-se mantendo (até aumentando) e, por isso, só posso concordar com as palavras de Russell. Até porque a marca que parecia estar a aproximar-se teve um Grande Prémio para esquecer (já lá vamos), apesar do segundo lugar de Norris no Sprint.
Um tiro completamente ao lado e que grande Colapinto
A McLaren é, aparentemente, a equipa que se vai aproximando mais da Mercedes e isso ficou bem explícito na corrida Sprint, na qual Lando Norris deu luta até ao fim pela vitória, assegurando o segundo lugar e também com a boa prestação de Oscar Piastri que foi quarto classificado. No entanto, a marca britânica errou feio no Grande Prémio! A chuva ameaçou e caíram mesmo umas pinguitas, porém ficou óbvio que a pista não iria ficar molhada. Ainda assim, os homens da estratégia dos ‘papaia’ decidiram que o melhor seria arrancar de Intermédios. A partida não correu nada mal, com Norris a saltar para a liderança (num clássico de 2026, em que os Mercedes raramente completam a primeira volta na frente, mas recebem a bandeira de xadrez no topo), mas foi sol de pouca dura ou uma chuva dissolvente, já que os pneus aqueceram rapidamente e com isso degradaram-se imenso, obrigando os pilotos a pararem logo após quatro voltas. A partir daí nunca mais recuperaram, sendo que o campeão do Mundo desistiu e o australiano ficou às portas dos pontos (11.º).
Só três equipas conseguiram pontos a dobrar e uma delas foi mesmo a maior surpresa, até então, nesta temporada. A Alpine vai conseguindo tirar enorme proveito do seu monolugar bem nascido e aproveitando todos os momentos para somar pontos importantes e consolidar-se na quinta posição do Mundial de Construtores. Claro que beneficiaram de algumas desistências, mas a verdade é que Pierre Gasly voltou a fazer uma enorme corrida, recuperando da 14.ª posição para a oitava e Franco Colapinto saiu de décimo e terminou em sexto. Ainda destaque para o espetacular 7.º posto de Liam Lawson, o nono de Carlos Sainz, com o seu Williams, e o décimo de Ollie Bearman.
Dando maior destaque, porque merece, ao argentino Franco Colapinto, convém enaltecer a sua enorme prestação, dando mostras de que recuperou a sua motivação. Depois de ter sido sétimo em Miami, o piloto da Alpine não fez por menos em Montreal e superou a sua melhor classificação de sempre, obtendo o sexto lugar. Uma condução exemplar e atrevida, tal como demonstrou assim que chegou à Fórmula 1, dando o ar da sua graça para eventuais voos mais elevados.
De volta a 2021 num duelo que animou a corrida
Para além do miúdo de 19 anos que vai partindo a loiça toda com o seu Mercedes, o pódio do Grande Prémio do Canadá ficou completo com dois velhos (salvo seja, ou não) conhecidos. O sete vezes campeão do Mundo, Lewis Hamilton, ficou em segundo, naquele que foi, claramente, o seu melhor fim de semana desde que chegou à Ferrari. Já no último degrau do pódio surgiu o tetracampeão mundial Max Verstappen, bem que se pode dizer finalmente… Mas o mais importante para quem assistiu à corrida (deixo vídeo com apenas um cheirinho) foi a batalha que nos fez recuar a 2021 (nessa altura, Antonelli tinha 14 anos), num verdadeiro ‘Regresso ao Futuro’, entre Hamilton e Verstappen com os dois a darem espetáculo com ultrapassagens geniais, tal como esta…
Max Verstappen está tão enraizado nos triunfos e nos pódios da Fórmula 1 que o facto de ter ficado em jejum por 168 dias – a última vez do neerlandês entre os três primeiros tinha sido no GP de Abu Dhabi do ano passado – tem de ser notícia. Claro que houve férias e tudo isso, mas não deixa de ser um facto a assinalar, especialmente, pelas dificuldades que o homem da Red Bull vai tendo com esta nova geração de carros e de regulamentos, continuando a falar abertamente sobre uma possível saída da categoria rainha do desporto automóvel. Esperemos que não…


